26 de junho de 2026
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LEGADOS CULTURAIS

A nostalgia de ter crescido no interior

Opinião de Marlon Gausmann, músico, regente e maestro

26/06/2026 | 10:11 Atualização: 26/06/2026 | 10:12

Hoje vou fugir um pouco do tema cultural que vinha abordando para relembrar meus tempos de criança na casa dos meus pais, que ficava no interior de Teutônia, em Linha Clara. É uma comunidade não muito grande, mas não menos importante no cenário histórico e cultural de nossa cidade. Conversando com outros amigos e colegas que também “se criaram” em Linha Clara, notamos que muitas pessoas que saíram dessa localidade hoje atuam em diversas frentes nos bairros de Teutônia, tanto no setor privado como no público, e com grande destaque nas esferas política, cultural e socioeconômica.  

Falo isso porque tenho certeza de que a forma como fomos criados, a forma como a comunidade atuava, a vida escolar, a vida religiosa, a vida social, tudo isso foi nos moldando e direcionando para que tivéssemos uma base forte, sólida, com respeito em primeiro lugar aos bons costumes, dando ênfase à valores como: respeito, trabalho, comprometimento, dedicação, responsabilidade, entre tantos outros.   

Quando criança, lembro que a rotina era importante: levantar cedo, tomar café, se arrumar e ir pra escola, mesmo que com chuva, frio ou calor, andar de 2 a 6 km, era uma jornada que fazíamos coletivamente. Já tinha um horário para que todos pudessem caminhar juntos até a escola. Mesmo que no inverno fosse escuro e frio, a própria caminhada ia nos esquentando. Chegar na escola uns 30 minutos antes era a melhor forma de socializar, cultivar amizades, brincar, etc. Fazia parte do processo. No recreio, cada um com seu lanche trazido de casa, muitas vezes trocávamos uma parte do lanche com um outro colega, que trazia algo diferente, assim o banquete estava feito. A volta pra casa era outra parte da jornada, com muita conversa e planos para o que fazer nos fins de semana. 

Em casa, depois do “tema de casa”, que era dado cada dia pelos professores, vinham as tarefas dadas pelos pais, geralmente não muito difíceis e pesadas, mas não menos importantes: ajudar a limpar a casa, o pátio, a estrebaria, colher frutas, recolher ovos, etc. Tudo isso já fazia parte do nosso aprendizado para valorizar a importância do trabalho coletivo. E quando sobrava um tempo, brincávamos com o que a natureza nos ofertava ao redor de casa: pedras viravam castelos, galhos viravam “arminhas”, enxadas faziam estradas para um velho carrinho de plástico, entre tantas outras ideias. 

E no fim de semana, ah, agora sim, podíamos visitar alguns vizinhos e brincar coletivamente, andar de bicicleta, de carrinho de lomba, explorar os matos/campos a procura de frutas, bichos, pescar nos córregos, se aventurar no “mundo a fora”. E em alguns fins de semana podíamos ir junto com nossos pais, que iam nas “sociedades” pra jogar carta, e nos reuníamos no campo de futebol para uma tarde inteira atrás da bola. E se o comportamento na escola e em casa era bom, às vezes vinha um pastel com refri como recompensa. 

Quem não queria/quer ter uma infância assim?

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