LEGADOS CULTURAIS

Ensino comunitário

Opinião de Lucildo Ahlert, professor, pesquisador e gestor de empresas

11/09/2026 | 09:41

Desde a chegada, os imigrantes alemães preocuparam-se com educação e instrução de seus filhos. Eles tinham clareza de que a educação era dever dos pais. Mas que, para ensinar conhecimentos e habilidades para a formação profissional, precisava-se de escolas. Assim, como o poder público estava ausente nas colônias, as comunidades construíram e geriram suas próprias escolas. Com uma estreita parceria entre pais e professor, exigia-se nas escolas o cumprimento das mesmas regras definidas na formação do caráter nas famílias. Todos os filhos, mesmo os mais pobres, deveriam aprender a ler, escrever e fazer cálculos. Além disso, dava-se grande valor a uma sólida formação moral e cristã de seus filhos.

No início, o ensino acontecia na casa de algum membro mais letrado, assumia direitos e deveres para ensinar as crianças a ler, escrever e fazer os cálculos. Assim que foi possível, foram construídas escolas e selecionados professores.

Estes eram escolhidos e pagos, através de critérios, pelos pais dos alunos. Os docentes deviam fazer parte da comunidade, serem pessoas respeitados, ter conhecimentos e competência para preparar e trabalhar tarefas para cinco séries ao mesmo tempo. As aulas exigiam um malabarismo para ensinar e manter a ordem entre as crianças. Para isso, não recebiam nenhum treinamento. Eram autodidatas e seu desenvolvimento era através da vivência e experiência.

Faziam parte das aulas: leituras, ditados, composições, redações de cartas, cálculos e regras gramaticais. O alfabeto ABC e a tabuada o aluno precisava decorar. Havia exercícios orais com a tabuada e com os cálculos. Em sábados de manhã, era praticado o canto e, após, os alunos faziam a limpeza da escola e do pátio.

No fim do ano, era feito um exame, em que uma comissão, composta pelo presidente da comunidade escolar, vinha à escola e observava os alunos enquanto preenchiam a prova.

As escolas comunitárias persistiram por muito tempo, mas foram dizimadas pelo poder público em duas investidas: na nacionalização compulsória, a partir de 1938 e pela Constituição de 1988, que aniquilou as escolas comunitárias menores, com a incumbência dos municípios de assumir o Ensino Fundamental, não podendo mais repassar recursos municipais para entidades privadas.

Felizmente, muitas escolas cresceram com as suas localidades e se tornaram grandes estabelecimentos de ensino, dotados de amplas instalações, como escolas da Rede Sinodal, as ligadas à religião católica e universidades comunitárias, as quais foram reconhecidas no Brasil, como organizações específicas incumbidas de ensino universitário.

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