Bairro Montanha

Dos formigueiros e abacaxis à transformação urbana

Criado oficialmente em 1985, bairro de Lajeado teve a formação marcada por antigas propriedades rurais, rodovias, indústrias e pela organização comunitária

25/09/2026 | 14:32 Atualização: 25/09/2026 | 14:33
Um dos acessos ao Bairro Montanha. Foto: Sara Ávila
Um dos acessos ao Bairro Montanha. Foto: Sara Ávila

O Bairro Montanha é o tema do sétimo episódio do quadro De Onde vem esse nome, do Informativo Regional, que nesta edição conta com o apoio da Cremolatto. Criado oficialmente em 3 de julho de 1985, passou de uma área formada por propriedades rurais, matas, granjas e plantações para um dos principais corredores industriais, comerciais e de serviços de Lajeado.

Antes da formação administrativa, a região era conhecida principalmente pelo Morro da Formiga, referência geográfica localizada nas proximidades do atual entroncamento da BR-386 com a ERS-130. O nome era atribuído à grande quantidade de formigueiros existentes no local. Não há, no entanto, um registro oficial sobre a substituição da denominação.  Enquanto o primeiro nome identificava uma elevação e seu entorno, Montanha passou a denominar um território mais amplo. A nomenclatura já aparecia no Plano Diretor de 1974, mais de uma década antes da lei que instituiu o bairro.

Antecedentes

Na segunda metade do século XIX, a área integrava uma extensa zona rural entre o núcleo de Lajeado e a Picada dos Conventos, atual Bairro Conventos. As propriedades eram delimitadas por grandes travessões coloniais, um deles posteriormente incorporado ao traçado da Avenida Benjamin Constant.

Uma antiga estrada de chão também fazia a ligação entre a Vila de Lajeado e a Picada dos Conventos,  com passagem pela região dos atuais bairros Florestal e Montanha. Em 1913, o imigrante Pedro Scherer mantinha um armazém de secos e molhados na localidade, que servia de referência às famílias da área rural. Em terreno doado por ele, foi inaugurada, em 20 de agosto de 1937, a Escola Isolada de Olarias.

A instituição foi posteriormente transferida para a área atual. Nos anos 1950, funcionou inicialmente em uma estrutura conhecida como brizoleta. O atual prédio da Escola Estadual Pedro Scherer foi inaugurado em 1996, quando passou a oferecer o ensino fundamental completo.

Morro da Formiga e os abacaxizais

Até o início da década de 1970, boa parte do atual Montanha ainda era formada por matas, granjas, propriedades agrícolas e plantações. Entre as culturas de destaque estava o abacaxi.

Em 1975, o primeiro Baile do Abacaxi reuniu 22 agricultores e evidenciou a importância da produção nas áreas do Montanha e do antigo Olarias. Fridolino Rohr esteve entre os homenageados como um dos pioneiros do cultivo.

O mesmo Rohr também teve participação na organização comunitária. Em agosto de 1958, 18 famílias reuniram-se na Escola Pedro Scherer para fundar a Comunidade Católica Nossa Senhora Aparecida. Ele doou o terreno e tornou-se o primeiro presidente.

A família Werner doou, em 1960, a primeira imagem da padroeira. A capela foi inaugurada em 1967. Em maio de 1980, a comunidade abriu o pavilhão de festas, mais tarde conhecido como Ginásio do Bairro Montanha. Um novo templo começou a ser construído em 2005 e foi inaugurado em outubro de 2009.

Rodovias mudam a paisagem

A transformação mais intensa da região começou a partir das décadas de 1950 e 1960, com a construção da BR-386. A rodovia criou um novo eixo de circulação e aproximou a antiga área rural do processo de expansão urbana de Lajeado. Em fevereiro de 1973, a Motomecânica inaugurou suas instalações junto ao trevo da BR-386. Na mesma década, a Olvebra consolidou uma grande estrutura entre a ERS-130 e a Rua Irmando Weissheimer.

A empresa ocupava cerca de 400 mil metros quadrados, esteve entre as principais geradoras de retorno de ICMS para o município e mantinha um parque esportivo destinado aos trabalhadores. Em 1978, a Florestal transferiu sua fábrica para uma área próxima à BR-386. A chegada das indústrias, somada às terraplenagens e às novas ligações rodoviárias, modificou de forma definitiva a paisagem do antigo Morro da Formiga.

Bairro ganha estrutura e novos acessos

Com a expansão residencial, surgiram novas entidades, serviços e espaços de convivência. A Associação Atlética Montanha foi fundada em 28 de abril de 1991. Em 1996, o Clube dos Quinze inaugurou sua sede no bairro, voltada a competições, bailes, reuniões e encontros comunitários. Os limites do Montanha foram redefinidos em 1998.

Outro marco ocorreu em 2003, com a abertura de 4,7 quilômetros da Avenida Benjamin Constant entre Montanha e o Bairro Conventos. A obra atravessou antigas propriedades rurais, estimulou loteamentos, valorizou terrenos e reforçou a ligação com os bairros da porção oeste de Lajeado. Naquele mesmo período, estava em construção o Centro de Saúde, na Rua João Sebastiany.

Em dezembro de 2004, o Corpo de Bombeiros de Lajeado começou a operar em dois prédios da Avenida Benjamin Constant. Em janeiro de 2020, a corporação passou a atender no novo quartel da Rua Nicolau Araújo Junges, escolhido pela proximidade com a BR-386 e a ERS-130. Em março de 2023, parte do território do Montanha também foi utilizada para a criação do Bairro Jardim Botânico.

De restaurante a hotel

Entre os empreendimentos surgidos ainda durante a transição do perfil rural para urbano está o atual Hotel Vallér. Em 1980, Dirceu e Deonila Vallér abriram um restaurante em uma estrada de chão da área ainda ligada ao antigo Olarias. Dez quartos construídos sobre o estabelecimento deram origem à pousada que posteriormente se transformaria em hotel.

Em 2025, o empreendimento contava com 183 quartos e mantinha hospedagem e alimentação no mesmo endereço onde a família iniciou as atividades 45 anos antes. No mesmo ano, em 5 de setembro, a Cremolatto inaugurou uma unidade na Avenida Benjamin Constant.

Já em fevereiro de 2026, a Certel abriu uma sede operacional na Avenida dos Ipês. O complexo possui 2.561 metros quadrados, reúne mais de 50 profissionais e recebeu investimento de R$ 12 milhões. A instalação também marca a transformação da Avenida dos Ipês, que passou de uma via com problemas de pavimentação para um corredor de serviços especializados.

Mesmo com a consolidação comercial e de serviços, o bairro ainda enfrenta demandas relacionadas à mobilidade, drenagem, calçadas e limitações do espaço viário. O alargamento da Avenida Benjamin Constant e a transferência do parque de máquinas da Secretaria de Obras seguem entre as reivindicações locais.

Ao longo das décadas, o Montanha mudou de perfil sem perder completamente as marcas de sua formação. Onde antes predominavam lavouras, estradas de chão e propriedades rurais, hoje estão rodovias, empresas, equipamentos públicos e áreas residenciais. O antigo Morro da Formiga permanece como uma das referências de um território que cresceu acompanhando a própria expansão de Lajeado.

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