Pequenas propriedades, pouca área agricultável, escassez de mão de obra, baixa valorização dos produtos e rentabilidade com margens minúsculas! Realidade preocupante que desafia enormemente a sustentabilidade econômica e social da região dos vales, caracterizadas pela agricultura familiar. Nesse contexto, muitos produtores vivem o dilema constante: continuo nessa atividade, agrego mais uma, encerro a que estou desenvolvendo e início outra? Qual rumo tomar? Qual a melhor escolha para tornar a propriedade mais sustentável com a maior geração de renda possível?
A melhor estratégia para a pequena propriedade rural com certeza é a diversificação produtiva associada ao planejamento e gestão muito profissional focada em resultado econômico. Em pequenas áreas, apostar em uma única cultura (monocultura) é arriscado devido às oscilações do mercado e do clima. A integração de atividades permite otimizar recursos, diluir custos fixos e garantir uma renda escalonada ao longo do ano.
O Vale do Taquari possui um dos cenários econômicos e agrícolas mais dinâmicos do RS, sendo caracterizado historicamente por propriedades de base familiar com área média menor que 12 hectares. A base econômica rural está ancorada na produção de frangos, suínos e leite. O sistema integrado garante mercado, mas exige alto investimento em infraestrutura técnica e biossegurança. O Vale responde por fatias importantes da produção estadual de mandioca (4% do RS), fumo (3,7%) e milho (2,6%). Há um crescimento das agroindústrias familiares: movimento sólido de agregação de valor através de agroindústrias artesanais (produção de melados, açúcar mascavo, embutidos, queijos, chimias coloniais….), com forte representação em feiras estaduais.
Sugestões estratégicas com foco na sustentabilidade
Medidas que precisam ser adotadas para minimizar riscos e maximizar resultados:
– Gestão de Custos e Metas de Produtividade: Com área limitada, o foco deve ser maximizar a produção verticalmente (produzir mais no mesmo espaço). É essencial colocar na ponta do lápis os custos operacionais para definir o volume mínimo necessário para pagar a operação e gerar lucro.
– Manejo Integrado e Reaproveitamento: Reduzir a compra de insumos externos é um caminho para aumentar a margem de lucro. Práticas como o uso de dejetos de animais para adubação de hortas ou biofertilizantes cortam drasticamente os custos com químicos.
– Acesso a Políticas Públicas e Crédito: O pequeno produtor deve se formalizar, emitindo o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar – CAF, para acessar linhas de financiamento baratas, como o PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e garantir canais de venda direta para o governo, como o PNAE (Alimentação Escolar) e o PAA (Aquisição de Alimentos).
– Ampliar o conhecimento e buscar capacitação técnica: Parcerias com órgãos de extensão rural, como a EMATER, SENAR ou Sebrae, oferecem cursos gratuitos de gestão e produção, além de auxiliar no desenho do projeto técnico para captar recurso. Formação técnica em Agropecuária e áreas afins.
– Agregar valor ao produto: Para agregar valor ao produto na pequena propriedade rural, o objetivo principal deve ser mudar a percepção de valor do cliente, transformando uma commodity (um produto comum, vendido por peso ou unidade) em uma experiência ou solução exclusiva. Isso significa aumentar a sua margem de lucro sem precisar expandir a área de terra.
Estar exausto ao fim do dia sem ver a cor do dinheiro não é produtividade, é escravidão da própria rotina! E isso precisa mudar! Decisões precisam ser tomadas.
RÁPIDAS
Possibilidades para a pequena propriedade:
– Cultivo de alface, couve e temperos em pequenos espaços com retorno frequente e semanal.
– Produção de ovos caipiras: atividade de alta demanda que ocupa pouco espaço físico, ideal para lotes de poedeiras bem planejados.
– Cultivo de mandioca de mesa: Baixo custo de implantação e excelente valor agregado na venda direta ou processada a vácuo.
– Criação de peixes ou Pesque-Pague: boa opção se houver abundância de água e fácil acesso a público urbano na região.
– Turismo Rural: Oferecer café colonial com vivências no campo para atrair visitantes da cidade.
– Fruticultura de Alto Valor: culturas de uvas e citros têm ganhado espaço, com a opção de venda direta na propriedade “colhe e pague”.
– Agroindústria Familiar de Derivados: transformação da produção primária (cana-de-açúcar em melado, frutas em geleias, leite em queijos/doce de leite) e a comercialização em feiras, eventos, alimentação escolar e mercados locais.