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As frutas, verduras e legumes das nossas mesas

Opinião de Márcio Mügge, administrador

12/06/2026 | 09:20

O setor de hortifrúti é um dos segmentos mais dinâmicos e desafiadores do agronegócio. Envolve a produção, o beneficiamento e a comercialização de frutas, legumes e verduras. Caracteriza-se por produtos altamente perecíveis, exigindo logística ágil, tecnologia de ponta e controle rigoroso de qualidade desde a colheita até o consumidor final.

A base da produção no Brasil é a agricultura familiar. As pequenas propriedades são responsáveis pela maior parte das frutas e hortaliças consumidas no país, exigindo cooperativismo e assistência técnica para garantir escala.

Um dos grandes desafios é contornar a perecibilidade: o setor adota tecnologias como packing houses (centrais de embalagem e refrigeração), embalagens com atmosfera modificada para prolongar a vida útil e sistemas de rastreabilidade que garantem a segurança alimentar. O escoamento é feito via Centrais de Abastecimento (Ceasa) ou por integração direta com redes de supermercados e grandes varejistas, o que exige planejamento de safra rígido para evitar oscilações de oferta.

As margens de lucro no varejo costumam variar entre 20% e 40%, mas o setor lida com altos índices de desperdício e volatilidade climática e de preços, o que exige gestão profissional de ponta a ponta.

Os produtos consumidos no Vale do Taquari vêm de uma mistura de produção local da nossa própria terra e do abastecimento que chega de fora por grandes centrais de comércio: muitos dos vegetais frescos e folhosos vendidos em mercados da nossa região são plantados bem perto de nós, mas há também muitos produtos oriundos de centrais de abastecimento, como das Ceasas de Porto Alegre e de Caxias do Sul, e também ainda de mercados de fora da região sul do Brasil.

O cultivo protegido como alternativa na produção de hortifrúti

O exemplo mais conhecido são as estufas. É uma técnica que usa coberturas para proteger as plantas do clima, minimizando impactos de granizo, oscilação de temperatura, geada e chuvas fortes. A barreira física também impede a entrada de insetos: com menos pragas, menor a aplicação de agrotóxicos na plantação. Como a chuva não cai direto nas plantas, as folhas ficam secas. Isso diminui muito o aparecimento de fungos e doenças. Além disso, alimentos protegidos têm melhor qualidade visual, facilitando a comercialização, também abre a possibilidade de colher mesmo fora da época normal.

Os tipos mais comuns de estufas são as de plástico, que são túneis altos onde as plantas crescem protegidas do vento e da chuva, telas de sombreamento, mas conhecidas como sombrite, que diminuem o sol forte, e a hidroponia, que é o cultivo na água dentro de estufas, sem usar a terra.

Mas existem também os desafios nesse modelo de produção: custo inicial alto, pois para montar a estrutura exige um bom investimento, além da mão de obra qualificada, que requer mais atenção e cuidado técnico do que o cultivo no tempo aberto.

Produtos chegam pelas rodovias

Estima-se que cerca de 50% de todo o hortifrúti consumido no Vale do Taquari venham de outras regiões ou de fora do estado. Ainda dependemos bastante de caminhões que cruzam as fronteiras para garantir a variedade nas gôndolas durante o ano todo.

RÁPIDAS

Origem do hortifrúti consumido em nossa região:

• Hortaliças e folhosas, como alface, rúcula, temperos verdes e couve são cultivados em grande parte nas propriedades locais.

• Assim como as frutas de época, como bergamota e laranja, morango e pitaya (em estufas), além do aipim.

• Das centrais de abastecimento (Ceasa) vêm batata, cenoura, tomate, cebola, uva, maçã, pêssego e ameixa (é o maior fornecedor).

• De fora do estado: mamão e manga (Bahia e Pernambuco), melão e melancia (parte vem do Rio Grande do Norte ou de polos específicos do próprio RS) e batata e alho (Minas Gerais, São Paulo ou até importados da Argentina).

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