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agro em foco

Intensidades das chuvas e seus impactos no Agro

Opinião de Márcio Mügge, administrador

24/07/2026 | 10:16 Atualização: 24/07/2026 | 10:18

As chuvas intensas e recorrentes no Rio Grande do Sul têm gerado forte estado de atenção e travado as atividades em campo no setor agrícola gaúcho. O solo saturado e os acumulados que passam de 100 mm em poucas horas dificultam o manejo e o escoamento. O principal impacto se concentra no atraso dos tratos culturais das safras de inverno, como o trigo, e no aumento do risco fitossanitário devido ao excesso de umidade, que favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas e manchas foliares, exigindo atenção redobrada nas lavouras já semeadas.

Com o solo encharcado, o atraso nos tratos culturais é imenso: máquinas agrícolas não conseguem entrar nas áreas, suspendendo pulverizações e adubações essenciais. Além disso, cultivos de ciclo curto sofrem com quebras físicas, redução do ritmo de crescimento e descarte antecipado por conta de temporais e frio.

A pecuária leiteira, atividade mais tradicional na região, é uma das que mais sofre com o desgaste das pastagens de inverno pelo excesso de água, afetando diretamente a alimentação do gado e o rendimento. Como a região possui forte relevo de encostas e várzeas, o acúmulo de água atrasa o preparo das áreas para os plantios subsequentes, afetando a estrutura do solo. Agricultores dependem de programas de manejo integrado e reestruturação de microbacias para evitar erosões e perdas de nutrientes.

Não menos importante, e que também afeta o setor, é o transbordamento pontual de arroios, córregos e valetas, bloqueando e danificando estradas rurais. Isso dificulta a circulação de caminhões isotérmicos que recolhem o leite diariamente nas propriedades, ameaçando a qualidade do produto estocado. Além disso, o problema também dificulta o transporte de animais das propriedades para os frigoríficos e a distribuição de insumos para o abastecimento das granjas.

E o El Niño que se avizinha …

O risco dos impactos do El Niño na agricultura do Rio Grande do Sul é classificado como muito alto para o ciclo atual. Órgãos oficiais apontam uma probabilidade muito grande de que o El Niño se manifeste em sua intensidade “forte” ou “muito forte” durante o segundo semestre, estendendo-se até o início de 2027. Para o produtor gaúcho, isso altera completamente o planejamento estratégico das safras de inverno e a preparação para o ciclo de verão.

O fenômeno intensifica o bloqueio atmosférico, concentrando volumes severos de chuva na região sul. Isso resulta em solos permanentemente saturados e alagamentos de várzeas. Ao contrário do padrão de inverno seco e frio, o El Niño traz maior nebulosidade e temperaturas médias acima do normal. Essa combinação de baixa luminosidade, calor e alta umidade acelera fungos severos, o que prejudica a vida das plantas. Com frentes frias sucessivas, os dias de sol firme ficam escassos. O produtor perde o momento ideal para adubações e pulverizações protetivas.

Fundamental: o agricultor precisa buscar informações sobre o El Niño em Órgãos Oficiais de Meteorologia, como INMET (Instituto Nacional de Meteorologia), CPTEC/INPE (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) e Simagro-RS (Sistema de Monitoramento Agroclimático do RS).

 RÁPIDAS:

Recomendações para mitigação de danos pelo excesso de chuvas:

Segundo nota técnica da Embrapa, sob a vigência de um El Niño severo, o foco do agricultor não deve ser o recorde de produtividade, mas sim a segurança financeira e a proteção do solo:

Manejo de Solo: manter plantas de cobertura para segurar a terra e evitar erosões causadas pelas enxurradas.

– Drenagem e Topografia: evitar terminantemente a implantação de lavouras em áreas de baixada, várzeas mal drenadas ou solos propensos a alagamentos prolongados.

Evitar o plantio feito com o solo excessivamente frio e encharcado, pois causa perda de estande (morte de sementes) e desuniformidade na lavoura.

– Aplicações Cirúrgicas: abandonar os calendários fixos de pulverização e agir estritamente com base nos alertas meteorológicos de curtíssimo prazo. Pulverização com utilização de drones é uma excelente alternativa.

Segurança: avaliar criteriosamente a contratação ou revisão do seguro rural antes de colocar as sementes de verão na terra.

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