“Um segundo Natal”. É desta forma que o varejo enxerga o potencial da Copa para o desenvolvimento de estratégias que fortaleçam a atuação e incrementem os resultados. A paixão pelo torneio, especialmente na expectativa por uma campanha vitoriosa da Seleção, se torna o fio condutor deste processo.
Embora dispute espaço com as bandeirinhas de São João, a decoração verde e amarela marca presença no comércio. Um deles é o Bazar Teutônia. A loja buscou chamar a atenção do consumidor que se conecta com a Copa.
Conforme o proprietário Valdemir Datsch, a procura está muito boa. Camisetas, figurinhas, álbuns e bandeiras estão entre os itens mais vendidos.
Mobilização
As figurinhas são a base da estratégia. Além dos pacotes, o interessado pode adquirir de forma avulsa, a fim de ter acesso exato ao que procura, sem valor adicional. Segundo Datsch, por conta do grande fluxo no último fim de semana, foram organizados espaços específicos para troca e venda. Em certo horário, eram mais de 100 pessoas na loja. “Temos a expectativa de vender cerca de 100 mil unidades até o fim da Copa. Nos últimos dias, fui duas vezes à Porto Alegre para renovar o estoque”, relata Datsch.
Paralelamente, o “Kit Torcedor” também tem sido bastante buscado. A caixa contém 12 objetos personalizados, para quem deseja expressar sua torcida pela equipe pentacampeã. Entre eles: óculos, manta, bandana, corneta retrátil, adesivos, tinta para pintura facial e o guia da fase de mata-mata da competição. Datsch avalia que os números demonstram o quanto o Brasil ainda mexe com os sentimentos do povo, independentemente da fase do time.

Venda avulsa de figurinhas é umas estratégias adotadas para ampliar os resultados do Bazar Teutônia
Sucesso de vendas
Sob nova direção, a Beti Esportes vivencia sua primeira Copa. Na visão da proprietária, Cláudia Reinheimer Frigo, as vendas têm alcançado níveis altamente satisfatórios. Quase todo o estoque de camisas da Seleção já foi comercializado, restando apenas alguns modelos infantis. “Caso o Brasil avance para as próximas fases, poderemos fechar novos negócios É o momento de fé e nos motivarmos pela Copa”, analisa Cláudia.
A preparação para o Mundial começou ainda no fim do ano passado, quando a equipe teve de fazer as encomendas dos produtos. Um detalhe é que as imagens dos lançamentos, segundo Cláudia, não são divulgadas pelas marcas. Apenas informações parciais. O processo também se torna uma descoberta. Além das camisetas, se destaca a chuteira rosa, de diferentes fornecedores, e utilizada por craques que disputam a edição 2026.
Figura cada vez mais utilizada para estampar produtos diversos, a capivara também ganhou seu protagonismo. A fabricante brasileira Poker idealizou a “Capibola”, uma linha de mini bolas de futebol que apresenta a ilustração do animal e a bandeira de diferentes países, como Brasil, Argentina, Espanha, Estados Unidos, Portugal, Alemanha, entre outras. Neste caso, a grande procura é das crianças, que desejam colecioná-la.
Sobre a vitrine, Cláudia reforça que o objetivo é ir além do chamariz tradicional. O foco é vivenciar o espírito da Copa, por meio da mistura de cores que exaltam a nossa força e identidade.

Proprietária da Beti Esportes, Cláudia destaca que vitrine
decorada exalta a força e identidade do povo brasileiro
Mercado aquecido
De acordo com pesquisa da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, cerca de 99,2 milhões de consumidores deverão ir às compras até o fim da Copa, sendo que 60% pretendem adquirir produtos ou contratar serviços. O gasto médio será de R$ 619. Nas classes A e B, o valor sobe para R$ 784.
O levantamento aponta que o consumo está diretamente ligado ao hábito de assistir aos jogos em grupo. 97% dos torcedores preferem acompanhar ao torneio desta forma, sendo que 86% dos entrevistados destacam a casa como principal local das reuniões.
Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) indica impacto de R$ 4,32 bilhões no faturamento do varejo durante a competição. Este valor representa alta de 6,5% em relação à Copa de 2022. Alimentos e bebidas deverão concentrar quase 70% das vendas.