MÚSICA GAÚCHA

Há 30 anos perpetuando a tradição

Destaque em festivais e encontros, Marco Osterkamp transmite o legado da gaita e é o responsável pelo Grupo de Gaiteiros do projeto Teutônia Cultural

12/09/2026 | 00:45
Marco Osterkamp compartilha técnicas do acordeon com diversas gerações. Ele ministra aulas desde a década de 1990 (Foto: Gabriela Arendt Schwingel)
Marco Osterkamp compartilha técnicas do acordeon com diversas gerações. Ele ministra aulas desde a década de 1990 (Foto: Gabriela Arendt Schwingel)

Natural de Linha Clara, interior de Teutônia, Marco Henrique Osterkamp tem 56 anos, dos quais 30 dedicados à música e ao canto coral.

O interesse em tocar gaita veio muito cedo, não por inspiração em grandes gaiteiros, e sim pela vontade e simplicidade de tocar e cantar músicas da época com amigos. Isso fez com que ele perdesse a inibição para subir ao palco do Festival de Canto de Linha Clara, ajudando outros a se apresentar, tocando e acompanhando.

Osterkamp lembra que, na época, foi convidado a integrar uma bandinha para animar festas e bailes da região, o que também serviu como um grande aprendizado. “Em seguida, assumi como gaiteiro de CTG, tocando e cantando Rio Grande a fora em rodeios artísticos. Fomos destaque por diversas vezes com troféus, através da dança, da gaita e do canto. Fomos bicampeões estaduais do Fegart (hoje Enart), na modalidade Grupo Vocal com o CTG Rincão das Coxilhas, do Bairro Languiru”, orgulha-se.

O interesse pela música levou o gaiteiro a fazer cursos de regência para trabalhar com canto coral. Ele também aprimorou os conhecimentos na gaita, teclado e violão. Em 1994, recebeu convite para dar aulas de música pela prefeitura de Poço das Antas. Em 1997, começou a trabalhar em Teutônia como professor de música em escolas municipais. Fora do horário escolar, ainda dava aulas de gaita, teclado e violão.

Umas das recordações que traz muito orgulho ao músico ocorreu no ano 2000, quando, juntamente com outros expoentes da cultura, recebeu o convite para ir a Brasília participar do Dia da Cultura. “Foi um momento ímpar. Tive a oportunidade de tocar gaita para o presidente da República, para atores e outros nomes importantes do país”, conta.

Através das aulas de gaita, surgiram muitos convites para apresentações, recepções de grupos e de turistas em passagem por Teutônia. Em 2020, dentro dos Núcleos de Cultura de Teutônia, foi criado o Grupo de Gaiteiros, que renova seus integrantes a cada ano e está sempre pronto para os convites que recebe, animando diversos eventos. “Um dos momentos importantes para o grupo é a Semana Farroupilha. Como a gaita é um instrumento tradicionalista, surgem diversos convites para apresentações, tanto em Teutônia como na região, chegando a tocar até na Expointer, entre outros eventos”. Osterkamp destaca o convite recebido em 2022, para participar do 11º Gaitaço de Almirante Tamandaré – em 2025 a participação se repetiu –, oportunidade na qual os gaiteiros teutonienses tiveram a honra de tocar junto de grandes gaiteiros da música tradicionalista, como Gildinho, dos Monarcas, Fernandinho e Dener Valle (Porquinha), do Grupo Cordiona, do professor Jéferson de Oliveira, entre outros. “Foi o palco do maior encontro de gaiteiros do Sul do Brasil”, aponta.

Com um incontável número de alunos ao longo dessas três décadas, Osterkamp não esconde o orgulho de estar à frente do Grupo de Gaiteiros. “É uma realização muito grande trabalhar com a música, especialmente da cultura gaúcha, podendo transmitir esse legado aos alunos que acabam se tornando amigos, das mais variadas faixas etárias. Nosso maior desafio coletivo é melhorar a cada dia, dando o melhor de nós. Agradeço aos meus alunos, suas famílias, aos colegas e a todos que, de alguma forma, fizeram e fazem parte desta caminhada. Que possamos continuar levando a música, a gaita e a nossa cultura adiante, mantendo vivas nossas tradições e inspirando as próximas gerações”, completa.

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