A diretora do Colégio Teutônia, Fabiane Dentee Wommer, está prestes a completar 52 anos. Natural de Linha Geraldo Alta, é casada com Aurélio Wommer e tem uma filha, Maria Clara, de 17 anos. Desde 1989, quando iniciou o Ensino Médio, está ligada ao Colégio Teutônia. Estudava pela manhã e à tarde atuava como aluna funcionária, tendo iniciado como auxiliar de biblioteca e de laboratório de Ciências, passando pela recepção, pela secretaria, pelo setor financeiro, coordenadora dos serviços de apoio e internato e, por mais de 20 anos, ter atuado como administradora, área pela concluiu graduação na Univates. Possui ainda especializações em gestão financeira, gestão escolar, docência e gestão na educação básica. Após ser convidada pela mantenedora, a Fundação Agrícola Teutônia (FAT), assumiu a função de diretora, cargo que ocupa há dois anos. Em 2026, ela completou 37 anos ligados à instituição.
Quais foram os momentos mais difíceis que viveste no Colégio Teutônia?
Fabiane Dentee Wommer – Foram três momentos que considero mais difíceis. O primeiro deles foi a crise financeira, nos anos de 1992 a 1996. Algumas questões de ordem política envolvidas que se tornaram difíceis. Naquela época, formamos a Associação de Professores e Funcionários (Aprocote), que foi vital para dar voz a estas classes, e conseguirmos reorganizar nossa estrutura. Depois, em meados da década de 2000, houve o fechamento do internato masculino, que se deu tanto pela questão financeira quanto pela questão social. E o outro momento delicado foi a reestruturação da granja, que ocorreu por volta desse mesmo período. Porém, é nas dificuldades que nasce o aprendizado. Sempre houve muita união no grupo, pois todos sempre quiseram o bem da instituição, trouxeram ideias para superar as dificuldades. Resolvemos as questões com diálogo, com maturidade, buscando acordos para beneficiar a coletividade. Foram mudanças que vieram a somar.
Qual a importância da FAT para a estruturação do CT?
Fabiane – A mantenedora se reúne mensalmente e é nesses encontros que se decidem as questões estratégicas. Já passei por 18 diferentes gestões e tive a oportunidade de aprender muito com todas essas pessoas, porque são da nossa comunidade local e todos trabalham em áreas diferentes, nos setores de serviço ou de produção. Todos têm uma visão diferente do seu empreendimento e trazem essa percepção para dentro da instituição, conseguimos aprender muito juntos.
Ser convidada para assumir a direção te surpreendeu?
Fabiane – Eu sempre trabalhei com a diretoria da mantenedora e sempre defendi que era importante vir um diretor de fora, que trouxesse inovações, algo da cidade ou da escola onde essa pessoa estava inserida. Várias vezes me ofereceram a direção antes de virem outros diretores, mas eu sempre dizia que não era a minha área. O CT é muito grande, possui diversos ramos de atuação e é necessário ter pessoas que pensem estrategicamente as questões administrativas, na qual sempre tive meu maior foco. E há dois anos, quando a mantenedora novamente me procurou para que eu assumisse, primeiro de forma interina, aceitei a oportunidade também para me desafiar. Acho que isso é importante, atuar com situações com as quais podemos imaginar que não temos capacidade, mas depois percebe-se que é possível, especialmente quando se tem um grupo tão bom quanto este que está ao meu lado.
Como está o CT atualmente?
Fabiane – É difícil falar sobre isso estando como diretora, porque pode parecer uma posição de soberba, mas estamos num momento muito importante. É o maior número de estudantes de toda a história, com 1.132, desde o Berçário, Ensino Fundamental e Médio, Educação Profissional e Jovem Aprendiz. Completamos agora, no mês de julho, 74 anos e estamos num momento em que nossa reputação acadêmica está sendo construída, um projeto pedagógico que já vem de muito tempo, que faz diferença na sala de aula e na vida das pessoas. Não é só com o cognitivo que precisamos nos atentar, mas também com a formação de um cidadão ético e responsável, que possa ser um diferencial também no mercado de trabalho.
Qual é o teu sentimento por essa ligação de 37 anos com o CT?
Fabiane – É de total gratidão por tudo o que vivencio aqui diariamente. Sempre fui muito sonhadora e muito curiosa também. Alguém me disse um dia: “tudo bem ser grata, mas você também fez entregas”. Sei que fiz entregas, mas o que a instituição me deu de retorno é muito maior do que eu sinto que entreguei. Eu venho para a escola todos os dias com mais vontade do que antigamente, pensando em quais entregas posso fazer por esta instituição que já fez tanto por mim. E todos os dias eu aprendo muito, cada dia é diferente aqui na instituição. E quando eu vejo que estudantes de um 5º ano apresentam um trabalho que ninguém imaginaria, só tenho a agradecer por viver neste espaço. Aprendo muito com eles e, principalmente, com os colegas. Nosso grupo de trabalho é muito forte. Todos têm suas virtudes e todos se complementam. Eu entendo que é essa partilha de saberes que define a nossa instituição, é a receita para tudo que está dando certo.
O que a Fabiane de hoje diria para aquela Fabiane que chegou no CT tão jovem?
Fabiane – Eu diria que tudo o que ela fez foi muito importante para aquele momento. Também diria para ela nunca deixar de ser aquela menina curiosa, em todas as áreas, e que continue estudando, procurando saber cada vez mais sobre outras coisas. Não devemos nunca ficar parados, é essa característica que faz a diferença no ser humano. Eu também diria para ela que é importante gostar de gente, pensar nas pessoas, e que um líder não faz nada sozinho: ele precisa muito das pessoas, precisa estar à disposição e escutar muito mais do que falar.