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A safra de inverno

Opinião de Márcio Mügge, administrador

05/06/2026 | 08:00

A safra de inverno, que se estende de abril a dezembro, também conhecida como safrinha, é o ciclo de cultivo realizado durante os meses mais frios e secos do ano, logo após a colheita principal de verão. Ela permite otimizar o uso da terra e serve como uma importante alternativa de renda para os produtores rurais. No Brasil, principalmente na região sul, os cultivos mais tradicionais incluem trigo, milho, cevada, aveia e canola.

Esse ciclo também é utilizado para plantar espécies que formam palhada, melhorando a estrutura e fertilidade do solo para a safra seguinte. Além disso, tem as vantagens ecológicas: ajuda na rotação de culturas, o que quebra o ciclo de pragas e doenças, além de aproveitar a umidade residual deixada pelas chuvas do verão. Para obter o melhor rendimento, o manejo adequado, a correção do solo e a escolha correta das cultivares são essenciais.

O cenário de preços para as principais culturas da safra de inverno apresenta uma tendência de recuperação e alta, impulsionada pela menor oferta interna e pelo aumento dos custos de produção. Considerando o trigo, após um período de desestímulo ao plantio devido a problemas de qualidade na safra anterior, a redução da área semeada no Brasil está restringindo a oferta interna e sustentando os preços. A safrinha de milho também tem tendência de alta. O mercado do milho enfrenta pressão de custos elevados com fertilizantes e sementes, mas os preços futuros mostram fôlego devido a estoques globais mais ajustados e à forte demanda interna das indústrias de etanol e proteína animal.

As principais coberturas de inverno

As melhores opções de cobertura de solo para o inverno dependem do objetivo agronômico da lavoura, considerando as necessidades de benefícios específicos para o sistema de plantio direto. As gramíneas produzem grande quantidade de matéria seca com alta relação carbono/nitrogênio, o que significa que a palha demora mais para se decompor, protegendo o solo por muito tempo.

Aveia-preta: é a campeã absoluta no Sul do Brasil. Oferece excelente controle de plantas daninhas, alta produção de fitomassa e fácil manejo.

Centeio: altamente resistente ao frio intenso e à seca. Desenvolve raízes profundas, sendo ótimo para solos compactados ou arenosos.

Azevém: ótimo enraizamento e alta capacidade de ressemeadura natural. Muito usado quando integrado com pecuária.

As leguminosas têm a capacidade de fixar o nitrogênio do ar diretamente no solo através de simbiose com bactérias, reduzindo os custos com fertilizantes químicos na safra de verão.

Ervilhaca é uma das melhores fixadoras de nitrogênio para o período frio. Decompõe-se rapidamente, liberando nutrientes logo no início da cultura sucessora.

Tremoço Branco: excelente para estruturação do solo e reciclagem de fósforo e potássio.

Nas crucíferas, que têm o foco em descompactação, destaca-se o nabo forrageiro, que possui uma raiz pivotante agressiva e profunda que funciona como um “descompactador biológico” do solo. Ele também recicla nutrientes de camadas profundas e ajuda no manejo de nematoides.

Sugestão: “mix de cobertura”

Em vez de plantar apenas uma espécie, a recomendação atual de instituições como a Embrapa Trigo é utilizar um mix de plantas de cobertura. Combinar Aveia-preta + Nabo Forrageiro + Ervilhaca, por exemplo, permite produzir muita palha (aveia), descompactar o perfil (nabo) e injetar nitrogênio no sistema (ervilhaca) ao mesmo tempo.

RÁPIDAS

As principais culturas da safra de inverno toleram temperaturas baixas e geadas moderadas:

Trigo: principal cereal de inverno brasileiro. Abastece a indústria de panificação e massas.

Milho Segunda Safra: também chamado de safrinha. É a maior cultura em volume de produção. O milho safrinha mudou drasticamente ao longo dos anos. Ele deixou de ser apenas um cultivo secundário de subsistência para se tornar a principal fonte de produção de milho do Brasil, superando amplamente a safra de verão.

Cevada: altamente valorizada pela indústria cervejeira nacional. Cultivada sob contrato com malterias.

Canola: oleaginosa com excelente mercado para produção de óleo de cozinha e biodiesel.

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