Comemoramos o Dia do Colono e do Motorista em 25 de julho para homenagear duas categorias fundamentais que trabalham em conjunto para o desenvolvimento econômico do país: enquanto o colono produz o alimento no campo, o motorista o transporta pelas estradas. A escolha desta data específica possui duas origens distintas e históricas.
O Dia do Colono remete a 25 de julho de 1824, data em que chegou a primeira leva de imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul, instalando-se na cidade de São Leopoldo. Em 1924, durante as celebrações do centenário dessa imigração, o dia foi definido regionalmente; mais tarde, em 5 de setembro de 1968, o presidente Artur da Costa e Silva oficializou nacionalmente o Dia do Colono, que reconhece a importância do trabalhador rural e da agricultura familiar, que formam a base do agronegócio e garantem o abastecimento de alimentos nas cidades.
O Dia do Motorista coincide com o dia de São Cristóvão, considerado pela tradição católica o padroeiro dos motoristas e dos viajantes. Homenageia todos os profissionais do volante que enfrentam longas jornadas e desafios nas rodovias para interligar as regiões do Brasil.
A junção das celebrações é muito forte na região Sul do Brasil, onde diversos municípios realizam grandes festas comunitárias, desfiles de tratores e caminhões, cultos ecumênicos e a tradicional bênção dos veículos. A celebração conjunta reforça o ciclo de produção: a sinergia perfeita entre quem planta e quem transporta.

Foto: Gabriela Arendt
A necessária dignidade aos colonos e motoristas
A dignidade na atividade profissional significa garantir que todo trabalhador seja tratado com respeito, justiça e igualdade, independentemente da sua função ou cargo. No contexto do trabalho do colono e do motorista, este conceito ganha ainda mais relevância devido aos grandes desafios físicos, econômicos e sociais que estas categorias enfrentam diariamente.
Receber um salário ou lucro que cubra as necessidades básicas de alimentação, habitação e saúde é fundamental. Ter acesso a tecnologias de segurança, prevenção de acidentes e doenças de trabalho. Ter uma jornada que evite a exaustão extrema com pausas para descanso, algo crítico para a segurança dos motoristas nas estradas.
A dignidade, para o agricultor, envolve o acesso ao crédito agrícola, preços justos na venda da sua produção e proteção contra as perdas causadas por crises climáticas. Para o motorista, ter estradas bem conservadas, pontos de paragem seguros para dormir e comer, e contratos que não os obriguem a ultrapassar os limites físicos para cumprir prazos.
Embora o discurso público exalte a importância dessas categorias como “os motores do país”, e a data comemorativa sirva de momento para registrar e celebrar as atividades, a estrutura econômica e o cotidiano revelam ainda uma grande falta de valorização. Temos que evoluir!
Sem o colono, o motorista não teria carga para transportar; sem o motorista, a produção do colono estaria perdida no campo. Juntos, eles garantem a sobrevivência diária das populações urbanas e sustentam o Produto Interno Bruto do Brasil!

RÁPIDAS
Paradigmas que precisam de ser quebrados para garantir a verdadeira dignidade e valorização do colono e do motorista:
- Trabalho braçal sem qualificação: a ideia preconceituosa e antiga de que o colono trabalha na terra por falta de opções de estudo e que o motorista apenas “gira um volante”. Ambas as profissões exigem alta especialização, destreza e muitos conhecimentos. E muita resiliência!
- Tratar os profissionais como heróis que não param é romantizar o sacrifício e esconder a falta de direitos básicos. Eles não precisam ser tratados como heróis infatigáveis, mas como profissionais dignos com devido reconhecimento.
- A subserviência na cadeia de consumo: a lógica de mercado de que o produtor e o transportador devem aceitar as margens de lucro mais esmagadas, enquanto intermediários e grandes retalhistas retêm o maior valor econômico, deve ser rompida. O paradigma econômico deve se inverter para priorizar a justiça financeira na origem.
- Isolamento e exclusão tecnológica: pensar que a vida no campo ou nas rodovias deve ser isolada e desconectada dos avanços e do conforto do mundo digital. A conectividade total é uma ferramenta de inclusão social e segurança.
- Profissão sem futuro para os jovens: a visão de que a sucessão rural ou a escolha de ser caminhoneiro são sinais de estagnação na vida. Sem a renovação geracional, o abastecimento colapsará. É preciso mostrar que o campo e a logística são setores estratégicos, tecnológicos e prósperos, capazes de oferecer carreiras modernas, sustentáveis e atrativas para as novas gerações.
