AGRO EM FOCO

Painel debate impactos do El Niño e estratégias para o agro

Especialistas destacaram a importância de previsões confiáveis, investimentos em monitoramento e medidas de prevenção aos eventos climáticos extremos

05/08/2026 | 21:57 Atualização: 05/08/2026 | 22:41
Sartori, Júlio e Varone conduziram os debates. Houve também um relato de experiência de um produtor atingido pela enchente de 2024. Fotos: Eduarda Rückert
Sartori, Júlio e Varone conduziram os debates. Houve também um relato de experiência de um produtor atingido pela enchente de 2024. Fotos: Eduarda Rückert

A necessidade de buscar informações confiáveis, planejar a produção e ampliar a resiliência das propriedades rurais marcou o painel “El Niño e as perspectivas no agro”. Realizado na noite desta quarta-feira, 5, o encontro lotou o auditório do Colégio Teutônia e reuniu especialistas em meteorologia, mercado agrícola e gestão das águas.

Coordenador do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos do Rio Grande do Sul (Simagro-RS), o meteorologista Flávio Varone explicou que o El Niño aumenta o potencial de chuva, mas não determina, sozinho, a ocorrência de eventos extremos.

“O El Niño é um combustível, não uma sentença”, afirmou. Segundo Varone, as previsões trabalham com probabilidades e estão sujeitas a margens de erro. Ele também alertou os produtores para que consultem órgãos especializados e evitem conteúdos sem fonte divulgados pelas redes sociais.

O Simagro-RS passou de 14 estações meteorológicas rurais, em 2020, para 102 atualmente. A estrutura permite elaborar previsões adaptadas aos diferentes microclimas do Estado.  Conforme Varone, os modelos indicam maior volume de chuva, além de uma tendência de enfraquecimento do El Niño no início do próximo ano.

O presidente da Brasoja Antônio Sartori recomendou cautela na tomada de decisões comerciais. Ele criticou previsões apresentadas como certezas e ressaltou que informações imprecisas podem influenciar negativamente o planejamento das lavouras.

“Torça pelo melhor, mas prepare-se para o pior. Esteja preparado para esperar o inesperado”, aconselhou. Sartori também defendeu maior atenção aos aspectos ambientais da atividade agropecuária e a aproximação dos jovens com a realidade das propriedades rurais.

Mediador, o diretor da Certel e vice-presidente do Comitê Taquari-Antas, Júlio César Salecker, apresentou ações previstas para reduzir os impactos das cheias. O plano da bacia, aprovado em 2023, contempla medidas estruturantes, como diques, barragens e áreas de contenção, além de sistemas de alerta, revisão de planos diretores e fortalecimento das defesas civis.

Salecker também citou o estudo contratado para avaliar a situação dos 119 municípios da Bacia Taquari-Antas. O trabalho terá duração prevista de três anos. Para ele, além das obras, é necessário retirar famílias das áreas de maior risco e melhorar os sistemas de previsão.

A dimensão humana das enchentes foi relatada pelo produtor Fernando Mallmann, de Estrela. Na propriedade de 81 hectares, em Arroio do Ouro, a família perdeu animais, equipamentos, estruturas e parte das lavouras. A produção de leite precisou ser encerrada após a cheia de 2024.

Mallmann contou que chegou a pensar em abandonar o local, mas decidiu reconstruir a propriedade com o apoio da comunidade, de doações e de cooperativas de crédito. “Não nos arrependemos de ter voltado, mas precisamos estar cada vez mais atentos ao clima”, declarou.

Houve ainda apresentação das linhas de crédito do Plano Safra, sorteio de brindes, momento para perguntas e jantar à base de carreteiro. O Painel Agro em Foco foi realizado pela Cresol, Informativo Regional, Cooperagri e Emater/RS-Ascar, com apoio de Jair Sulzbach Tratores e Implementos Agrícolas, Colégio Teutônia, Certel, Gestor RP, Federasul, Amsol, Prefeitura de Teutônia e Secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação do Rio Grande do Sul (Seapi-RS).

Evento lotou o Auditório do Colégio Teutônia na noite desta quarta-feira, 5.

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