agro em foco

A avicultura como destaque na Região dos Vales

Opinião de Márcio Mügge, administrador

25/09/2026 | 10:38 Atualização: 25/09/2026 | 10:39

A avicultura é um dos pilares da economia do Vale do Taquari, representando sozinha cerca de 21% de toda a produção avícola do RS. O município de Teutônia destaca-se pela expressiva capacidade de alojamento e produção de frangos, impulsionada historicamente por produtores associados e cooperativas locais. Além do frango de corte, a região registra relevância na produção de ovos e na busca por sistemas alternativos de bem-estar animal e avicultura colonial.

A atuação se estabelece sob forte modelo de integração vertical e cooperativismo. Produtores investem cada vez mais em automação, controle rigoroso de ambiente (temperatura e umidade) e certificações de bem-estar animal para atender a mercados exigente.

O Rio Grande do Sul mantém uma média de 174 milhões de cabeças de aves (efetivo flutuante/alojamento), e o Vale do Taquari é uma das duas principais regiões propulsoras desse volume.

Como a região conta com a presença direta de gigantes globais de alimentos, o destino final varia de acordo com o tipo de ave e de corte processado. A produção local é escoada principalmente via transporte rodoviário até o porto de Rio Grande e portos de Santa Catarina e Paraná, tendo como principais destinos China, Chile e países do Oriente Médio, além da União Europeia, Japão e África do Sul.

A maior parte do volume de frango produzido na região permanece para abastecer os próprios brasileiros. Produtos com a marca própria de cooperativas e parceiras locais abastecem gôndolas da região, grandes redes de varejo e atacados na região metropolitana de Porto Alegre, além de estados vizinhos como Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Parte da produção de aves de linhagem colonial ou de agricultura familiar é direcionada para merendas escolares e mercados institucionais locais da própria Região dos Vales.

Desafios do setor

Embora a avicultura na microrregião apresente números robustos, o setor enfrenta um cenário de alta pressão operacional, climática e de custos. Teutônia e região ainda sofrem com as perdas geradas no setor pelo declínio de importante integradora, quando muitos aviários ficaram parados por grandes períodos, não gerando renda, além de remunerações que não foram recebidas.

Além do aumento no preço de insumos como milho, os custos fixos e operacionais dentro do aviário subiram significativamente, destacando-se energia elétrica e aquecimento, como também o aumento dos fretes rodoviários e o custo de materiais de manutenção, como plásticos e metais para comedouros/bebedouros.

Por ser uma área de altíssima densidade aviária, o risco de contágio é um desafio diário de segurança biológica. As regras de biosseguridade estão extremamente rígidas. O produtor precisa investir constantemente em telas, desinfecção de veículos e isolamento total de granjas para evitar embargos internacionais imediatos.

O mercado da carne de frango vive em constante “gestão de crise” para equilibrar a oferta com a oscilação da demanda. Barreiras comerciais dinâmicas, novas restrições ambientais da União Europeia e variações no consumo interno forçam as indústrias e cooperativas da região a recalibrar o ritmo de abates para evitar o excesso de produto no mercado. E ainda, há escassez de mão de obra e dificuldades na sucessão familiar.

Mais do que uma atividade econômica, a avicultura nos vales é sinônimo de resiliência: uma cadeia forte que reconstrói o presente e alimenta o futuro.

POSIÇÕES E FORÇA PRODUTIVA NO RIO GRANDE DO SUL

• Boa Vista do Sul: Permanece como o maior volume absoluto deste grupo específico, ocupando a 5ª posição no ranking dos maiores produtores de aves do RS. A atividade é o motor econômico da cidade, registrando uma densidade altíssima de galpões integrados por habitante.

• Westfália: Consolida-se na 6ª posição do ranking estadual de produção de aves. O município supera o expressivo rebanho flutuante/efetivo de 4 milhões de cabeças de aves ao ano e abriga uma planta de abate e processamento.

• Teutônia: Segue firmemente posicionada no Top 10 do estado na produção de frangos de corte. Além do frango, atua fortemente na cadeia de ovos comerciais e serve como o centro de abastecimento de rações, logística e suporte sindical rural para a microrregião.

• Paverama: Representa o principal polo de expansão e diversificação recente na região. O município conta com um número crescente de estabelecimentos avícolas familiares registrados voltados ao corte, matrizes e produção colonial.

• Poço das Antas: Mesmo com menor extensão geográfica, possui alta concentração de pequenas propriedades familiares integradas, apresentando elevado faturamento e retorno por metro quadrado construído através do alojamento de lotes integrados.

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